O encontro

 

Na foto: Fundador do Santuário Sr. Denis Bourgerie fazendo a apresentação do quadro de nossa Senhora Desatadora dos Nós.

O encontro com Nossa Senhora Desatadora dos Nós.

Impactante! Eu não parecia estar neste mundo. A cena que vivi naquele momento me paralisou. Eu estava em pé diante Dela, imóvel, fitando a mais bela e formosa de todas as mulheres. Não tinha nada a dizer, porque estava fascinado por Ela, pela fita que Ela tinha nas mãos e a mensagem ali revelada.

O que significaria aquela fita? Pedi explicações a uma pessoa ao meu lado, que me respondeu: "A fita é a sua vida, que tem nós, e a Virgem Mãe está mostrando que pode desatá-los!

"Naquele momento, vi minha vida nas mãos Dela e senti que um dia seria chamado a mostrar ao Senhor a fita da minha vida. Não somente um trecho, mas ela inteira, por completo, de ponta a ponta, sem esconder nada. Sim, mostrar a fita da minha vida desde o primeiro sopro até o último. Mostrarei a Deus o que fiz da vida que Ele me emprestou, desfazendo o rolo em que está gravado tudo que fiz, disse, pensei e deixei de fazer...

A fita da minha vida, sem sombra de dúvida, será examinada meticulosamente à luz divina. Misericórdia, Senhor! E então a misericórdia se faz quando Ele permite que a Virgem Maria, minha Mãe, tome em Suas mãos a fita da minha vida e, com a dedicação de uma Mãe apaixonada ao extremo, passe serena e poderosamente a desatar os nós que nela existem, tornando-a verdadeiramente digna.

Meu olhar passou da contemplação de Sua face ao emaranhado de nós que carrego. Confesso que sempre amei Nossa Senhora, à qual fui consagrado com um mês de vida, na Igreja Notre-Dame de Paris, na França, levado por minha mãe, Jeanne. Já tinha visto muitas imagens e estátuas da Virgem Mãe de Deus, em diversos países, porque sempre entrei com prazer em igrejas, sobretudo nas mariais, mas nunca havia contemplado algo semelhante.

Que esplendor ver a santíssima Virgem Mãe de Deus trabalhando com humildade e afinco indescritíveis por todos aqueles que se dirigem a Ela e Lhe entregam os nós de sua vida. E assim vi meus nós se desenrolarem sob Seus olhos, aplicados a desatar tanto os meus como os daqueles que, a Seus pés, suplicam por ajuda. Naquele momento, minha vida passou diante de mim como um filme...

Como piloto que fui, eu me perguntava, ali diante Dela, como minhas licenças para pilotar avião e helicóptero e minhas milhares de horas de voo poderiam ter me ajudado a entrar naquele céu que eu riscava. Tive uma vida plena de aventuras pelo mundo, amava os riscos, e ali percebi que nunca me arriscara verdadeiramente por Ela. Das dunas do Saara ao tapete verde da selva amazônica ou ao branco da neve do Canadá, nada me detinha quando se tratava da paixão pela aviação. Agora eu estava ali, diante de Maria, sentindo que Ela desatava os nós que eu carregava desse meu passado. Creio ter sido naquele momento que Ela verdadeiramente atou meu coração ao Dela.

Quando encontrei Nossa Senhora Desatadora dos Nós, eu já havia abandonado a aviação, exercia outra profissão, morava no Brasil e havia construído uma capela dedicada a Maria Porta do Céu, pois havia sido ungido pelo bálsamo derramado de Seu ícone no Canadá.

Localizada em Campinas (SP), essa capela começou, dia após dia, a ficar repleta de fiéis, porque as missas, as homilias, os cantos gregorianos, a liturgia eram extremamente belos. De repente, comecei a perceber crianças, jovens, idosos nos jardins, e a comunhão era dada até na rua durante as missas, porque não havia mais lugar para acolher tantas pessoas dentro da capela. Isso me doía a alma profundamente.

O que fazer? Não havia meios de ampliar a capela. Eu tinha no peito um grande nó a desatar. Foi quando encontrei Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Diante Dela, entreguei-me por completo em Suas mãos, meu passado, meu presente e meu futuro, particularmente aquele nó que carregava no peito. Pedi a Ela que ampliasse de alguma forma a capela, que atraía centenas de pessoas a Seu Filho, Jesus.

Depois desse encontro inesquecível que tive com minha Mãe, Nossa Senhora Desatadora dos Nós, voltei ao Brasil e minha vida nunca mais foi a mesma. Alguns meses se passaram, até que um dia, em Campinas, fui procurado por uma senhora que frequentava a capela. Ela me perguntou se eu estava interessado em comprar uma imensa boate, a maior da região, que fora erguida em frente à capela aproximadamente dois anos antes. Essa senhora era a esposa do proprietário.

A boate era um grande nó a desatar para nós, porque, antes do início das missas, pela manhã, diariamente eu recolhia, espalhadas pelo jardim da capela, dezenas de garrafas de bebida, além de seringas e preservativos. O preço dessa boate era extremamente alto, principalmente porque não tínhamos dinheiro algum. Sem dinheiro, como levar adiante as negociações? Não era possível!

Eu disse àquela senhora que fecharíamos negócio se o marido dela nos oferecesse a boate de graça, porque não tínhamos a possibilidade de comprá-la. Ela respondeu: "Meu marido nunca aceitará doar a boate a vocês!

"As conversas foram concluídas e os meses se passaram... Muitos compradores tentaram, sem sucesso, adquiri-la. Na verdade, era Nossa Senhora Desatadora dos Nós quem estava cuidando das negociações. Depois de oito meses, voltamos a conversar com o dono e conseguimos comprar a boate no dia 8 de março. Recebi o recado do céu, porque o dia 8 de cada mês é dedicado à Virgem, e em 8 de dezembro se festeja o Dia de Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Compramos, sem dinheiro, em muitas prestações, um templo imenso consagrado ao prazer, mas com a certeza de que Ela não falharia conosco, porque já tinha desatado esse nó no céu e na terra.

Como esquecer a primeira vez em que entrei naquele lugar? Absolutamente impossível não me lembrar das gaiolas de ferro suspensas, onde mulheres dançavam a noite toda. O primeiro trabalho foi descer as gaiolas e destruí-las. Depois, dezoito caminhões de terra foram necessários para preencher a pista de dança. No primeiro andar, destruímos os camarotes de vidro preto, que escondiam as pessoas que antes alimentavam a privacidade de seus vícios. Desmanchamos um balcão gigantesco, que era o bar.

Desse lugar fizemos finalmente, conduzidos por Nossa Senhora Desatadora dos Nós, um Santuário magnífico, derrubando as paredes, remodelando, reconstruindo, embelezando... e continuamos fazendo isso até hoje. E a grande festa mudou de endereço. O arquiteto que construiu aquela boate, inspirado no estilo greco-romano, não sabia que de fato estava construindo a estrutura de uma igreja excepcional. Que ele seja abençoado por isso! Modificar uma boate para transformá-la em igreja não me incomodou, porque inumeráveis templos pagãos, tanto na França quanto na Itália, foram transformados em igrejas.

Outro milagre é que essa gigantesca boate, que se transformou em um gigantesco Santuário, começou a encher, encher, e hoje começa a ficar pequeno para tantos fiéis. São cerca de 3.500 pessoas em cada missa, de segunda a segunda. Assim, o plano de amor de Nossa Senhora Desatadora dos Nós continua a se concretizar dia a dia, porque ali visitam fiéis de todo o Brasil, mesmo dos estados mais remotos, e também peregrinos da França, do Canadá, da Suíça... Os muros do Santuário estão cobertos de ponta a ponta com faixas espontâneas de agradecimento por graças recebidas, mescladas entre as flores de primavera. Fiz isso para Ti, Mãe, depositando a argila de minha vida em tuas mãos, naquele dia em que Te descobri, porque experimentei e sei como são fortes, inabaláveis e poderosos Teu amor e Tua intercessão, e que o coração adorável do Teu Filho não te nega nada.

Através do sim de minha vida, nunca me neguei a Te levar pelo mundo e a testemunhar o Teu poder de desatar os nós de nossa vida. Por Ti vou à África, às Américas, à Europa, à Ásia, aonde me chamares. Minha maior aventura hoje é ir para onde me levares. Minha paixão é descobrir o tamanho da Tua paixão por mim, Teu soldado, Teu amigo, Teu filho. E a paixão que tens pelos meus irmãos.


Denis Bourgerie

Fundador do Santuário Nossa Senhora Desatadora dos Nós.