Porque Jejuamos


Saiba porque Jejuamos.

Você sabia que é em vão a penitência sem o jejum? Assim falou Santo Basílio, "a penitência sem o jejum é em vão e infrutuosa”.

Para satisfazer a justiça eterna é necessário juntar as lágrimas do arrependimento com a prática do jejum. Quem dentre os homens pode ousar a dizer que o jejum é inútil? Que ele não tem nenhum pecado a redimir, nem uma caída a temer? Quem pode ter a ousadia de pensar que é mais santo que o filho de Isabel? Cristão cego e presunçoso, toda tua vida te acusa nos tribunais de tua consciência! (Ao lado podemos ver o ícone de São Basílio quem sempre defendeu a prática do Jejum).

Você não tem pecados, inúmeros a expiar?

Você não tem pecados, inúmeros pecados a expiar? Pecados de malícia, de fraqueza, de omissão, de negligência, ignorância voluntária, de cada pensamento, de palavra, de ação, que sujaram sua alma e todas as suas faculdades, seu corpo e todos os seus sentidos, pecado contra Deus, o próximo e você mesmo, pecado público e secreto, pecado de escândalo, cumplicidade, com os quais vocês participaram voluntariamente, pecado de costumes que você não pensa, mas são familiares, mas Deus te revelará, no último dia, toda esta malícia, enfim, pecado de toda espécie, que você multiplicou no infinito, e que ultrapassou os cabelos de tua cabeça.

Portanto, que tipo de penitência você já fez até agora? E que penitência no momento presente você está fazendo? Se compararmos os seus fracos esforços às máximas do evangelho, à rigor dos mandamentos, à doutrina dos Padres da igreja e à vida austera dos santos penitentes de todos os séculos, como você está longe da meta que você deveria atingir!

Deveríamos ter ter pavor da nossa mole indulgência frente a este assunto de primeira importância. Esta penitência tão expressamente mandada pela lei de Deus, esta na qual Jesus Cristo declarou que todos nós vamos perecer: “não, digo-vos. Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo” (Lucas 13,3).

Você já tomou a decisão de praticar o jejum?

Você já tomou a decisão de praticá-la? Estamos na beira da eternidade e a cada dia nos aproximamos dessa eternidade através da morte de um parente, de um amigo, de uma pessoa conhecida. Esta morte inexorável chega a nossas vidas como um ladrão, estamos falhando quando não pensamos na nossa morte, porque estamos demais preocupados com preocupações temporárias, projetos ambiciosos, laço afetivo talvez criminal, imaginação descontrolada, ilusão mundana, e é nesse estado que vamos aparecer no tribunal daquele que julga os menores pensamentos de cada homem e decide seu lugar eterno.

Será que tem uma verdade mais certa que a aproximação desse fim de nossas vidas? Quem pode duvidar disso? Quem pode evitar isso? E nós cristãos podemos continuar ignorando que o estado de graça ou de pecado no qual estamos agora não mudará mais a partir do momento de nossa morte, e nesse momento será muito tarde para fazer penitência?

Se acreditarmos fielmente nessa verdade, porque demorar para satisfazer a justiça divina? Quando Ele nos oferece todos os meios para cuidar de nossa salvação, amanhã será muito tarde, daqui a pouco talvez não haja mais tempo para fazer isso. É uma coisa horrível, fala o apóstolo em Hebreu 10,31: ”é horrendo cair nas mãos do Deus vivo”, antes de ter acalmado sua ira, através de frutos dignos de penitência, de arrependimento e de jejum.

Amém.


Referência do texto:

Vies des Saints. – D’alban et de Godescard le Mart.

Le Martyrologe – Romain. – Tome Onzième.

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