Seja bem-vindo - Quarta-Feira, 20 de Setembro de 2017 - 17:16

Porque os homens são infiéis?


Porque os homens são infiéis?

Diante do fato da infidelidade de um grande número de maridos e esposas convém nos interrogarmos sobre suas causas e sobre sua natureza. Por que se é infiel? Por que hoje mais do que outrora? O que, portanto, empurra os homens e mulheres para o adultério, muito frequentemente com sacrifício do próprio lar?

A infidelidade masculina: No homem deve-se, antes de tudo, considerar que ele é produto direto da educação recebida. Quando, depois da fase masturbatória, o adolescente passa à segunda fase, à da prostituição, ele já está em vias de ser “polígamo”. As mulheres desfilam em sua vida à maneira de objetos variáveis, sucedendo-se umas às outras para satisfazer o apetite do gôzo do “jovem animal”. Sartre descreveu muito bem o fenômeno e a mentalidade que marca esta época: “Qualquer mulher, não importa qual, é bastante boa para não importa qual homem”. A sexualidade, em lugar de se educar, se deforma então. Ela não é absolutamente, ligada ao amor, e sim ao prazer. Compra-se a mulher do mesmo modo que se compram as coisas; manda-se nela, exige-se dela, ela nada tem a obtemperar porque jamais se viu uma mercadoria subtrair-se a seu comprador. O exercício sexual, assim desprovido de toda dimensão humana, é apenas problema de instinto. Um jovem macho no cio busca uma fêmea... a baixo preço. Tal é o comércio sexual que falseia de início a sexualidade masculina, e prepara a infidelidade de amanhã.

Quando, depois de diversos anos desta atitude de galo e destas práticas de baixa atração, o rapaz descobre o amor, ele se tornou incapaz de fixação amorosa. Está definitivamente votado a ser volúvel, a correr atrás de seu prazer sem consideração por aquela que ama. Como noivo, incapaz de controle genital, ele engana largamente aquela que esposará e a quem... prometerá fidelidade. Ela não é ainda sua esposa e ele já tem inúmeras mulheres em sua vida. E, enquanto “respeita” sua noiva – pior, ainda, porque ele pretenderá geralmente que só pode respeitá-la com esta condição – ele chafurda na prostituição oficial ou oficiosa. Ela não é ainda sua mulher e já está à margem do jogo masculino. É candidata simultânea ao casamento e à traição.

Além disso, com semelhante escola, o jovem adquiriu seus hábitos sexuais. Iniciado na casa de prostituição, onde a delicadeza não é habitualmente a regra, acostumado a cortejar as mulheres fáceis que fazem todas as concessões com a condição de serem pagas, eis que o jovem marido encontra uma esposa, inexperiente, que pretende guardar uma certa dignidade e que continua a conservar um pudor natural. Nasce, então, o conflito entre o pudor da esposa e o despudor do marido. Ora, e é bom anotá-lo contra todos os excessos e as teorias de pseudolibertação que circulam em nossos dias – Freud explicou que “é pudor... que constitui a força oposta a estas perversões; mas, em certas ocasiões, ela se mostra impotente”. É o que se dá quando um dos membros do casal, por causa de uma iniciação deficiente em que a mulher, objeto prostituído, é desprezado e ignorado como pessoa, se tornou condicionado por comportamentos exorbitantes. Seu despudor se defronta com o pudor da jovem esposa que quer amar, mas que sente intuitivamente que certos comportamentos são no mínimo inconvenientes quando não claramente anormais. E nisto ela tem toda a razão. Porque o pudor, quando é são e equilibrado (por oposição ao falso pudor neurótico) é o penhor de um comportamento verdadeiramente humano e racional. É ainda Freud que nos adverte: “Estudando as perversões, vimos que o impulso sexual deve lutar contra certas resistências de ordem psíquica, dentre as quais o pudor e a aversão são as mais evidentes. Podemos supor que são forças destinadas a manter o impulso sexual nos limites daquilo que se designa como normal”. Assim a mulher, em seu pudor, opõe às exigências aberrantes do próprio marido, corrompido por práticas perversas, um fim de não-receber. Normal e são, o pudor exaspera o jovem habituado com as prostitutas; ele retorna então a elas, que estão à altura de suas exigências patológicas. E a mulher, por ser sensata, se vê rejeitada.

Por outro lado, acontece que este reflexo de pudor natural na mulher é falseado por uma educação mal orientada. A mulher, neste caso, se recusa a uma união calorosa. Encerrado em sua mórbida repulsa, envergonhada em seu corpo, hostil à tudo quanto há de sexual, ela será quando muito passiva, de uma passividade agressiva, que afastará o marido. Se ele, apesar de pudico em suas solicitações de ternura que permanecem no campo da normalidade, só encontra uma companheira hostil ou indiferente, perderá, pouco a pouco, todo seu interesse por ela. Rejeitado, ele rejeitará por sua vez, porque homem algum pode aceitar ser condenado a mendigar carícias que o amor deveria suscitar espontaneamente. Vê-se, assim, frígidas impelirem seus maridos à infidelidade e votá-los a ela quase que fatalmente. Elas cavam o fosso da sua própria infelicidade porque recusaram seu corpo e sua ternura exatamente quando deveriam se oferecer com generosidade, conquistar com habilidade, amar com simplicidade.

Os estes três fatores se acrescenta a conatural fraqueza masculina. Sobre aparência de energia ou de força, ele oculta, às vezes, uma vulnerabilidade múltipla. A história de Adão e Eva é um excelente símbolo desta verdade. O homem diante da mulher está em estado de fraqueza; sua superioridade é só aparente e, se a mulher é hábil, não tarda em conquistá-lo. Assim é que a infidelidade masculina será frequentemente problema de ocasião. Circunstancias fortuitas bastarão para lançar um marido, normalmente firme, na confusão e, num piscar de olhos estará engajado numa aventura. Sua sexualidade explosiva faz dele presa fácil, que sucumbe, com presteza, a uma boa ocasião. Este tipo de infidelidade é antes de uma ordem biológica; nela o homem não deixa seu coração. Mas deixa sempre algo de sua dignidade. Destas aventuras ele volta habitualmente, com forte complexo de culpa, e conserva um sabor amargo. Elas o marcam como um pobre tipo ao invés de homem.

Enfim, umas das causas mais constantes da infidelidade masculina é o complexo de machismo. O homem experimenta a frequente necessidade de verificar sua virilidade. Ora, não lhe basta, para se firmar como macho, saber-se em estado de potência sexual em relação à sua esposa. Mais do que isto, lhe é vital se entregar ao jogo da conquista. Ele deve provar a si mesmo que é desejável e que, se desejar, pode conquistar quem quiser. Ele se considerará tanto mais macho quanto maior for sua lista de conquistas. Sua virilidade se medirá idiotamente pelo número de parceiras que ele tiver podido convencer a entrar no seu jogo, rejeitando-as em seguida, pois, uma vez conquistadas, elas deixam de ter interesse.

Esta mentalidade, o que há de mais infantil, é infelizmente bastante espalhada. É o célebre donjuanismo que triunfa em todos os povos latinos: um critério corrente, para julgar a virilidade de um indivíduo, é fazê-lo a partir do número de suas conquistas. Os homens praticam a infidelidade como um esporte. Eles veem nela uma proeza quando é apenas decadência. E estes pobres ignorantes pavoneiam-se orgulhosamente sem saber que esta virilidade mentirosa é apenas um contra virilidade que prova justamente a sua não-virilidade. A psicologia estudou longamente o donjuanismo para chegar à conclusão de que Don Juan foi um pobre tarado, incapaz de ascender à maturidade sexual. Seu hiper-erotismo não era nada mais do que uma máscara de uma débil virilidade que não chegou jamais a realizar-se. Por um estranho desvio, o machismo, em lugar de ser como o pretende – uma manifestação de dinamismo sexual – é a confissão disfarçada do fracasso de uma sexualidade irrealizada. A verdadeira virilidade se encontra do lado da fidelidade; a infidelidade não reveste senão uma meia-virilidade adulterada e sem energia.

O homem tem a inquietude da fixação erótica de uma nova mulher sugerindo uma promessa de satisfação mais total; promessa ilusória no mais das vezes, porque se trata de indivíduos incapazes, por várias razões interiores, de saciedade completa. O donjuanismo, tão frequentemente analisado em arte literária, é uma forma refinada desta inaptidão para uma eleição durável; ele revela tudo quanto podemos opinar por análises psicológicas individuais aprofundadas, um defeito de virilidade por apego auto-erótico a objetos permanecidos infantis. Note-se bem que não se trata de uma condenação moral tradicional. Ao contrário de todos os preconceitos que circulam entre os homens ignorantes, é do lado do home fiel que se deve buscar a virilidade. As ciências psicológicas nos ensinam que “o donjuanismo é uma mentalidade sexual falsamente viril que oculta um defeito de maturidade sexual que se deve buscar a explicação de alta porcentagem de infidelidade masculina”. 


Referência:
Texto: Amor e Liberdade - Padre Charbonneau.
Santuário Nossa Senhora Desatadora dos Nós.


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