A infidelidade feminina.


Os mitos e as verdades da infidelidade feminina.

Procedamos a uma semelhante
análise da infidelidade feminina. Mas, antes de tudo, reafirmemos o fato deste
comportamento. Porque existe um mito da virtude feminina que é mantido contra a
evidencia, por homens que preferem se ocultar à verdade. Esta cegueira é,
alias, parte integrante do complexo de machismo.

A) O fato de infidelidade
feminina:
Este fato conta, entre suas regras fundamentais que, quanto mais um
homem engana sua mulher, mais ele é homem; em contrapartida ele se considera
desonrado, desclassificado, desprezado, se a mulher o engana. Pois, por que o
enganaria ela a não ser porque está insatisfeita? E por que estaria ela
insatisfeita a não ser pelo fato dele não cumprir sua tarefa de homem de
maneira satisfatória? Quando uma mulher é infiel a seu marido, este é, de
imediato, classificado por seus amigos de “chifrudo”, isto é, imbecil ou
incompetente. Não sendo nenhum destes dois qualitativos particularmente
elogioso, todos os homens gostam de pensar que não lhes são absolutamente
atribuíveis. É a razão pela qual eles desejam, a qualquer preço, e por vezes
contra evidencias óbvias, que suas mulheres sejam baluartes de fidelidade. Se
bem que não seja raro ver maridos enganados, visto e sabido por toda a
sociedade, persistem em ignorar este fato de que não querem tomar consciência.
Preferem sua tranquila cegueira à cruel realidade. É assim que numa sociedade
patriarcal se prolonga em mistificar a mulher e a lhe atribuir, a priori, um
brevê de fidelidade.

Como deixar de evocar aqui o
dito popular que Jorge Amado apontava num para-choque de caminhão da Bahia:
“Não se pode dormir com todas as mulheres do mundo, mas deve-se fazer um
esforço! ” Assim pensam os machos que não percebem que outorgam, por este
princípio mesmo, o privilégio da infidelidade à sua própria esposa. Porque, se
“todas as mulheres do mundo”, podem ser objeto de cobiça e conquista, em
virtude de qual miraculosa exceção a sua escaparia a tal destino? E é assim que
é “bem preso quem acreditava prender” como diz o provérbio. Feridos pela infidelidade,
eles próprios sofrem, a maior parte das vezes, o tratamento que impuseram a
outrem.  E sobre sua cega crescem
magníficos chifres. Françoise Sagan, que tem uma certa competência na matéria,
notou de maneira sarcástica como o homem se encerra no mito de
invulnerabilidade de sua mulher; na boca de uma de suas heroínas exasperadas
ela coloca a seguinte observação: “Os homens são inconscientes, pensava Paule
sem amargura. “Tenho tal confiança em ti, tal confiança, que eu posso te
enganar, te deixar sozinha, não sendo possível que o contrário ocorra. É
sublime” (11). O sarcasmo poderia ser aplicado a bem maior número de maridos do
que se poderia pensar. Igualmente, se bem que possa parecer chocante, é
necessário acabar com este jogo tranquilizador que oculta a realidade sob o
cômodo mito da fidelidade geral das mulheres. Como os homens, as mulheres
enganam, seu cônjuge. E, por menor que seja o número de mulheres infiéis, é
maior do que se pensa. É fato inegável que a “infidelidade conjugal é mais rara
na mulher do que no homem. Nenhum sério psicólogo jamais afirmou o contrário”
(12). Mas creio, como expliquei mais acima, que em nosso meio pode-se afirmar
que por volta de 40% das mulheres são infiéis, sem nos desviarmos da verdade. E
não falo aqui senão do adultério consumado. Se se incluísse também a
infidelidade mental, a que se deseja sem que haja consumação, a que se cultiva
interiormente, creio que seria necessário elevar a proporção para perto de 70%.
Sem pessimismo! Como, então, explicar esta situação?

B) As causas da infidelidade
feminina: “O feminismo”:
Em primeiro lugar é preciso mencionar o que pode ser
considerado como uma causa indireta deste estado de coisas: o movimento
feminista. Os resquícios de patriarcado que existem ainda entre nós nem sempre
permitem aos homens se darem conta de que entre a mulher de ontem e a de hoje
existe um meio século de rápida evolução social.

Houve, no decorrer desta
época, uma indubitável evolução da mulher, que saiu das trincheiras da cozinha
para tomar seu lugar nos negócios do mundo. Eis um fato diante do qual nós
devemos inclinar sem alimentar sentimentos de nostalgia. Porque esta
libertação, no seu conjunto e malgrado os excessos, é um processo da
civilização. Entre os traços característicos de nossa época, João XXIII
sublinhava na Pacem in Terris: “Em segundo lugar, fato por demais conhecido do
ingresso da mulher na vida pública: mais acentuado, talvez, em povos da
civilização cristã; mais tardio, mas já em escala considerável em povos de
outra tradição e cultura. Torna-se a mulher cada vez mais cônscia da própria
dignidade humana, não sofre mais ser tratada como um, objeto ou instrumento,
reivindica direitos e deveres consentâneos com sua dignidade de pessoa, tanto
na vida familiar como na vida social” (13).

Entre as jovens e as avós há
um enorme abismo; ambas pertencem a épocas diferentes, o que inúmeros maridos
se recusam a perceber. Eles continuam a tratar sua mulher como se ela viesse à
maneira de sua mãe. Daí surgem numerosos conflitos que suscitam ocasiões em que
a infidelidade da jovem esposa será posta à prova duramente. É para que os
homens compreendam este fato e se adaptem à mentalidade da mulher moderna,
evitando assim perigosas escorregadias, que insistimos nisso.

Há muito tempo atrás, no
início do século, Roger Martin du Gard podia escrever numa frase brutal a
lapidar que resume o lugar então ocupado pela mulher: “As mulheres: seres
inferiores, irremediavelmente” (14). Mulheres e meninas viviam numa espécie de
claustro perpétuo; apagadas, no interior mesmo do lar, seu destino era a
submissão irrevogável, a obediência ao senhor; único horizonte: os trabalhos
domésticos.

Mounier mostrou como esta
situação preparava uma verdadeira revolução social (nós a estamos vivendo) em
que o leitmotiv seria: a mulher é também uma pessoa. Reiteremos aqui este
importante parágrafo, redigido com a habitual acuidade que caracteriza o grande
filósofo personalista, por a descrição que aí encontramos corresponde às
categorias que, a despeito de tudo, muitos homens observam ainda em nossos
dias: “A deformação política que grasse em nossa época não somente desvalorizou
os problemas da vida privada como também falseou toda perspectiva a respeito. A
opinião pública me parece colocar-se problemas apenas de homens em que somente
homens têm a palavra. Algumas centenas de milhares de operários, em cada país,
transformaram a história porque tomaram consciência de sua opressão. Um
proletariado espiritual cem vezes mais numeroso, o da mulher, permanece sem que
ninguém se espante, fora da história. Sua situação moral não é, assim, nada
invejável, malgrado as mais brilhantes aparências. Esta impossibilidade para a
pessoas de nascer para a sua vida própria, que, segundo nos define o
proletariado, mais essencialmente ainda que a miséria material, é o destino de
quase todas as mulheres, ricas e pobres, burguesas, operárias e camponesas.
Meninas, povoou-se seu mundo de mistérios, terrores, tabus a elas reservados.
Depois, sobre este universo angustiante que não as abandonará mais, correu-se
de uma vez por todas, a frágil cortina de uma prisão florida, mas fechada, da
falsa feminilidade. A maioria não encontrará jamais a porta de saída. Desde
este momento elas vivem em imaginação, não como o menino, uma vida de
conquistas, uma vida aberta, mas um destino de vencidas, fechado, fora de
jogada. Elas são instaladas na submissão: não aquela que pode coroar, para além
da pessoa, o dom de si por um ser livre, mas aquela que é, em detrimento da
pessoa, renúncia antecipada de sua vocação espiritual” (15).

Semelhante situação não
poderia se perpetuar numa época em que a pessoa humana, se tornando mais e mais
confiante de sua dignidade e de seus direitos, exigia o respeito absoluto para
além de todas as contingências que podiam rodear seu ser. As mulheres marcharam
em fileiras e, pouco a pouco, conseguiram inverter a situação. Deu-se a
libertação feminina e, como o observa Noonan em excelente síntese (16), quatro
pontos capitais marcaram a evolução do status feminino. No plano econômico, de
dependentes que eram, um grande número de mulheres de tornou independente.
Ganham seu salário, vivem de seu trabalho e mesmo o regime de comunhão de bens
está em vias de ser substituído pelo de separação de bens. No plano político,
com o advento do sistema democrático, elas obtiveram o exercício do direito de
voto e mesmo o de figurar entre os eventuais candidatos. Para avaliar o caminho
percorrido, basta avaliar que num país tão conservador como a Índia, uma mulher
assumiu o posto de chefe da nação! Terceiro fato: o crescimento intelectual. A
mulher de hoje tem acesso, da mesma forma que o rapaz se este for seu desejo, à
educação superior. A presença feminina na Universidade, suspeita há apenas 25
anos, é hoje em dia, banal. E as carreiras liberais lhe estão todas à disposição,
desde as Escolas de Administração até às Faculdades de Engenharia. Voltaremos a
este fato que adquire grande importância em face do casamento. Enfim quarto
fato de mudança no plano social assim como no plano jurídico, o divórcio está
cada vez mais aceito. Outrora a mulher era literalmente prisioneira de seu
marido. Atualmente em vários países ela pode se divorciar e recomeçar sua vida.
Juridicamente os liamos matrimoniais são solúveis. E o que antes era
intolerável escândalo se tornou coisa corrente e admitida. O ostracismo imposto
aos divorciados é coisa do passado. E, nas sociedades mais conservadoras em que
a legislação não reconhece ainda o divórcio, a separação toma-lhe o lugar;
torna-se cada vez mais frequente, e uma jovem mulher não hesita mais a ela
recorrer. Também a sociedade começa a aceitar este estado de coisas. E pode-se
crer que, apesar de todas as legítimas resistências, rumamos fatalmente –
queiramos ou não – para a instituição do divórcio em todos os países (17). Não
discuto aqui o mérito da questão, constato, simplesmente, um fato jurídico e
social que modifica totalmente a situação e o modo de pensar da mulher moderna.

Mas, se em seu todo o
incoercível movimento feminista conduziu à libertação da mulher, engendrou, no
entanto, numerosos desvios. Um deles consiste num raciocínio simplista e
ridículo que alega: o que o homem tem o direito de fazer, a mulher também tem.
Ora, o home é infiel, logo, a mulher pode sê-lo. (Este sofisma grosseiro é dos
mais difundidos hoje em dia). Enquanto que o raciocínio justo seria: se a
mulher não tem o direito de ser infiel, muito menos o homem. Mas prefere-se o
sofisma anterior porque encoraja todas as facilidades e justifica todas as
besteiras. E as mulheres, sobre o pretexto de se elevar à altura dos homens,
começam a reivindicar o direito de se comportarem como eles. E é então que a
infidelidade feminina se multiplica. Como escreve Jean Cau “em nome da
liberdade de costumes conquistada, as mulheres transformam seu corpo em coisa e
em armadilha de desejo e confundem provocação com libertação”. (18).

2) O recuo das censuras morais:
Esta atitude é tanto mais fácil quanto uma outra modificação de importância
agita nosso mundo. Pode-se dizer até que, até nossa época, o Ocidente vivia à
sombra da moral cristã. Esta, rígida em matéria sexual, era igualmente formal.
Tanto o permitido quanto o proibido era enunciado claramente. Além disso, estes
critérios morais, faziam parte de critérios sócias. Uma jovem da época não
imaginaria jamais contestar o fundamente da virgindade, por exemplo. E, de um
golpe, para uma grande confusão das gerações antigas, eis que este edifício de
censuras cai por terra.

Este fato é tão evidente que o
Concílio Vaticano II o inscreveu no número de suas considerações. Falando das
mudanças psicológicas, morais, religiosas nota o seguinte: “A mudança da
mentalidade e de estruturas coloca em questão frequentemente os valores recebidos,
particularmente junto dos jovens: com frequência não suportam sua situação; bem
mais, a inquietação os torna revoltados.... na verdade, as instituições, as
leis, os modos de pensar e agir legados pelos antepassados não parecem sempre
bem adaptados ao estado atual das coisas. Vem daí uma perturbação grave no
comportamento e nas normas de conduta (19).

Este desmoronamento dos
antigos quadros morais acarreta uma desorientação geral. E o casamento é uma
das instituições mais prejudicadas. Sinal desta mudança a facilidade com a qual
não somente a mulher se presta à infidelidade como faz dela um pendão de
glória.

3) A Supervalorização da
sexualidade
: No meio de todo este alarido a mulher moderna sofre nova
mistificação. Outrora o sexo sendo tabu, ela era a imagem da pureza. Hoje, a
pureza tendo se tornado tabu, faz-se dela a encarnação do gozo. A força de se
ouvir dizer que ela dever ser sexy, à força de ser solicitada pela moda e pela
publicidade a expor sempre mais seu corpo, ela termina por idealizar a
sexualidade e por ver no seu exercício o auge de sua feminilidade. O triunfante
erotismo de nossa época a contamina: ela aceita, por fim, ser instrumento de
gozo coletivo. No passado o homem conquistava a mulher, agora, sela se oferece
sem mais, convencida que está de que será na exploração máxima de seu corpo de
que ela se realizará na íntegra. Nesta perspectiva, todos os recursos são
válidos, inclusive a prática da poliandra, sucessiva ou simultânea, à margem da
vida conjugal. Ela é novamente vítima, mas desta vez se vinga!

4) A insatisfação sexual: É
fato notório que raramente a infidelidade feminina é gratuita. O home é mais
espontaneamente infiel. Sua constituição psicobiologia faz com que ele deva
praticar uma séria disciplina interior para permanecer fiel. A mulher, pelo
contrário, tende antes para a fidelidade. Mais vulnerável, mais engajada
também, ela prefere geralmente a segurança da fidelidade à insegurança das
aventuras ou de uma ligação. Igualmente, se uma esposa encontra em seu casamento
plena satisfação sexual, não experimenta, habitualmente, dificuldade alguma em
permanecer fiel. Pelo contrário, a fidelidade a faz feliz.

Infelizmente, a harmonia
sexual – que deveria ser regra – é quase exceção. Não vamos retomar aqui as
causas deste estado de coisas. No entanto, observemos novamente que a
ignorância masculina, adicionada ao machismo e à incapacidade de exercer
domínio sobre si mesmo estão, o mais frequentemente, na origem do desajuste
feminino. Quando este desajuste, depois de alguns anos de tentativas por vezes
heroicas e pacientes, se transformam em exasperação, a mulher frustrada
incessantemente, exacerbada por repetidos fracassos e que parecem nunca ter
fim, é sujeita à vulnerabilidade. Se, de um lado o marido satisfeito e desatento,
sem maturidade erótica, ela encontra alguém que saiba falar a seu coração e
despertar seu desejo, será uma presa fácil para a infidelidade. O adultério
praticado não por malícia ou predisposição de vingança, lhe parecerá, então, o
caminho a tomar para conhecer a alegria carnal que o casamento lhe recusa. E
se, de fato, ela o encontra, sofrerá todas as penas do mundo para se desligar
da infidelidade, para onde a impeliu seu próprio marido.

5) A insatisfação afetiva: Mas,
mais ainda que a frustação sexual, e mais que todas a pressões sociais que ela
sofre, o que compromete a infidelidade feminina é a insatisfação afetiva.

A mulher, pode-se dizer, vive
do coração. Os bens exteriores lhe são importantes, sem dúvida: dinheiro, casa,
nível social, reputação, mas, ao contrário do homem, isso tudo não lhe basta. A
mulher tem, antes de mais nada, necessidade de ternura.

Por infelicidade, a ternura a
longo prazo não é um dos componentes da psicologia masculina, o home se
entrincheira facilmente atrás de algumas manifestações estereotipadas que ele
distribui distraidamente a sua mulher, como concessão ou dever inevitável. Ora,
a ternura deve brotar espontaneamente da palavra, do gesto, do olhar, e quando
ela não reina intensamente num casal, a mulher se sente ignorada, rejeitada,
inútil.

O que fará ela então a não ser
procurar se redescobrir útil, reconhecida, desejada? Ela o fará
inconscientemente, sem querer enganar o marido, sem mesmo perceber que desliza
para a infidelidade. Ela só deseja uma coisa: preencher o vazio em seu coração
que a deixa sempre desiludida. Ela se encontra, neste momento, em estado de
disponibilidade; e se o acaso coloca em seu caminho um homem que saiba ser
terno e preencher este vazio – que ela sente aterrorizador – de sua alma,
poderá ocorrer perfeitamente que ela queira também lhe dar seu corpo. Surge
então a infidelidade, repentina, fulgurante e profunda, porque o coração foi
tomando (20).

É para evitar semelhante
destino à esposa que o home deve se convencer de que jamais, ou quase nunca,
poderá manter sua esposa em “estado de fidelidade” se não praticar a arte de
namorar. O casamento não acaba com o namoro; pelo contrário, ele o institui. O
marido que não quer expor sua mulher à tentação da infidelidade, deve
satisfaze-la afetivamente fazendo-se tão terno quanto possível.

6) A superioridade cultural: As
causas enumeradas até aqui se acrescentam uma outra que é praticamente a
consequência da evolução da qual falamos. Até nossa época a mulher estava
limitada ao papel de doméstica. O homem a dominava do alto de sua
intelectualidade que podia não ser muito grande, mas que, de qualquer forma,
era superior à de sua esposa.

Eis que o século XX descobre
que a mulher deve ser integrada na sociedade e que, para isto, deve estudar.
Ela ascende nos estudos e adquire uma boa cultura. Como, por outro lado, ela
dispõe de certos lazeres e conserva uma inquietude intelectual que não se
encontra na maior parte dos homens, uma vez seus estudos completados, ela
continua a se cultiva. O homem, por seu lado, absorvido pelas tarefas que o
prendem, lutando duramente no mundo dos negócios para enfrentar uma
concorrência que se faz cada vez mais dura, não tem mais nem o lazer nem o
gosto pelas coisas do espírito. Pouco a pouco ele se encerra no mundo dos negócios
e da política perdendo pé no mundo cultural. Uma anquilose da inteligência se
apossa dele de tal maneira que a esposa, que continua a evoluir, termina por
ultrapassá-lo. Se ela desenvolve um certo senso crítico, o que é inevitável
nestas circunstâncias, termina por sentir que seu marido pode ser muito bom,
mas não é muito inteligente.

Um certo desprezo toma lugar à
admiração inicial. Ora, é fato notório que o amor, sem a admiração que deve
normalmente acompanha-lo, nada dura. Quando a esposa não pode mais admirar
sinceramente seu marido, é válido se prever que ela vai em busca de alguém para
admirar. Se ela, então, se depara com um homem de inteligência brilhante, vasta
cultura, sólido conteúdo intelectual, ela se ligará a ele. O marido perderá
então o pouco interesse que representava ainda, devido ao desnível intelectual
que o separa da esposa.

















































7) Casamento muito precoce: Enfim,
entre as causas que impelem a esposa ao desrespeito à fidelidade conjugal,
existe o fato de que numerosos casamentos se fazem numa época em que a mulher
não passa de uma adolescente. Sem ter vivido ela se casa. A intransigência
nesta matéria é absoluta, a exclusividade é imperativa. Apenas adolescente, a
mulher já é prisioneira. Esgotada, fatigada, decepcionada, também com uma
vontade bem natural de viver um pouco, de ver algo deste universo turbulento e
sedutor da juventude, ela se engaja então num ritmo de vida, em círculos de
amigos nos quais o marido tem má vontade de segui-la. A jovem esposa, condenada
a uma fidelidade precoce, cederá facilmente a tentação de viver a pluralidade
afetiva que não conheceu no momento da adolescência. Cansada já de seu marido,
ela experimentará a necessidade de se variar. A despeito de todos os princípios
que possa ter, mulher alguma jamais variou impunemente, sobretudo quando está
irritada.... Diz-se muito bem: “mulher cansada, mulher fácil...” (21).


Referência:
Texto: Amor e Liberdade - Padre Charbonneau. pág. 2017 a 232.
Santuário Nossa Senhora Desatadora dos Nós.


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